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Violência e doenças
andam juntas |
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A despeito de todas as conquistas que a mulher
vem obtendo, especialmente ao longo dos últimos 40
anos, a violência permanece como um estigma nas relações
entre os sexos, desencadeando nas vítimas doenças
tais como o stress, a angústia, o medo, traumas e
a depressão, além de seqüelas físicas.
Em Caxias do Sul existe uma rede de proteção,
com a preocupação de informar sobre os tipos
de violência contra a mulher, dar apoio e incentivar
a denúncia dos agressores.
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A Cartilha da Mulher Contra a Violência define que a
“violência contra a mulher é considerado
todo o ato de violência baseado na diferença
de gênero que tenha ou passa a ter como resultado um
dano ou sofrimento físico sexual ou psicológico
para a mulher, inclusive as ameaças de tais atos, a
coação ou a privação abitrária
da liberdade, quando ocorridas tanto na vida pública
como na privada”.
A Cartilha, que pode ser obtida na Coordenadoria da Mulher,
dá exemplos práticos. É considerada como
violência física não apenas agressões
explícitas, mas também “ser deixada sem
assistência quando doente ou grávida”.
“Ser impedida de usar contraceptivos” é
considerada uma violência sexual e “ameaças
de agressão ou insultos” estão incluídas
entre as violências emocionais e psicológicas.
O problema é bem maior do que se imagina. Segundo dados
da Delegacia Para a Mulher, em 2002 , foram registradas no
município 4 463 ocorrências policiais envolvendo
algum tipo de violência contra a mulher, mas estima-se
que o número de agressões seja muito maior.
Entre as formas de violências que vitimam as mulheres,
a que causa maior preocupação é a violência
doméstica. Isso porque ela ocorre dentro de casa e
o agressor tem uma relação de parentesco com
a vítima.
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De acordo com a delegada responsável,
Raquel Peixoto, é importante denunciar os agressores
para frear e até mesmo cessar o problema. Ela faz um
alerta às mulheres: “a injúria é
tão grave quanto a lesão corporal porque afeta
a auto-estima, deixando a mulher psicologicamente desestruturada.
Por isso, deve ser denunciada”.
De acordo com a delegada responsável, Raquel Peixoto,
é importante denunciar os agressores para frear e até
mesmo cessar o problema. Ela faz um alerta às mulheres:
“a injúria é tão grave quanto a
lesão corporal porque afeta a auto-estima, deixando
a mulher psicologicamente desestruturada. Por isso, deve ser
denunciada”.
A Delegacia da Mulher oferece também um serviço
de apoio psicológico, coordenado pela psicóloga
voluntária Neila Rizolo, que visa a trabalhar a estrutura
emocional, psicológica e social das vítimas,
mesmo àquelas que optam por não fazer o registro
de ocorrência policial.
A psicóloga da Fundação de Assistência
Social, Luciane Demenech, que também atua na área
de maus tratos contra a mulher, explica que a violência
tem um ciclo, do qual fazem parte o xingamento, a chantagem,
a agressão, entre outros. O fato de muitas mulheres
hesitarem em denunciar seus agressores, se deve às
ameaças sofridas, para proteger os filhos de maus tratos
ou por acreditarem que o marido vai mudar. Associados a isto
estão também o sentimento de discriminação
social e a falta de informação, complementa
a psicóloga.

Em 2002 foram registradas
4.463
ocorrências no município |
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| Rede de proteção
à mulher |
Coordenadoria
da Mulher
Alfredo Chaves, 1333 Bairro Exposição
Telefone (54) 218-6000 ou 218-6026
Conselho Municipal dos Direitos da Mulher
COMDIM / Casa da Cidadania
Rua Visconde de Pelotas, 449 Bairro Centro
Telefone (54) 221-0873 ou 202-2094
PLPs - Promotoras Legais Populares
SIM - Serviço de Informação
à Mulher
Rua Virginia Botini Reuse, 229
Loteamento Popular Mariani
Telefone (54) 225-6344
Unidade Básica de Saúde - UBS
(nos bairros)
Acolhe e atende as situações de violência. |
Hospital
Geral
Av. Professor Antônio Vignoli, 255 Bairro Petrópolis
Telefone 229-4444 Delegacia
Para a Mulher
Rua Dr. Montaury, 1387 - Bairro Centro
Telefone (54) 221-1357
Fundação de Assistência
Social - FAS
Rua Moreira César, 1853 Bairro Pio X
Telefone (54) 221 - 4731
Casa de Apoio “Viva Raquel”
Endereço não divulgado. Desenvolve ações
de saúde, apoio psicológico, social
e jurídico para mulheres em situação
de violência doméstica, com risco de
vida, podendo acompanhar-se de seus filhos menores. |
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Cidade
realiza
seminário sobre violência |
Hospital
Geral
tem trabalho inédito na área |
Caxias do Sul
conta com uma rede local de proteção e assistência
às mulheres em situação de violência
doméstica. Estes serviços são supervisionados
pela Coordenadoria da Mulher, órgão criado para
acompanhar e articular as entidades participantes da rede.
Para isso, promove reuniões, seminários e grupos
de estudo com os profissionais colaboradores. São realizados
também encontros dentro das comunidades para debater
e discutir soluções para o problema.
A titular da Coordenadoria da Mulher, Vânia Damin, é
otimista quando diz que é possível erradicar
a violência contra a mulher, seja ela física,
sexual, emocional ou psicológica. Para ela, basta que
as mulheres denunciem seus agressores. “Não temos
que ter vergonha de expor a nossa realidade, pois muitas mulheres
perderam a vida por não acreditarem nas ameaças
sofridas. Hoje, seja qual for o grau de violência, o
município tem um serviço de atendimento. O importante
é que as pessoas apareçam, para que os casos
sejam atendidos e encaminhados”, diz Vânia Damin.
No dia 25 de novembro, Dia Internacional de Combate à
Violência Contra a Mulher, a Coordenadoria juntamente
com o movimento de mulheres e outras entidades, estarão
organizando um seminário sobre o tema, aberto à
comunidade. O objetivo é ampliar o controle social
sobre a violência, divulgar a rede local de proteção
e atendimento às mulheres em situação
de violência.
| Seminário
de Combate à Violência Contra a Mulher |
Quando: 25 de novembro
Onde: UCS Teatro Participação
gratuita Mais informações
pelo telefone 218-6000. |
O Serviço
de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Geral de Caxias
do Sul é pioneiro na Região Nordeste no desenvolvimento
de um Programa de Atendimento às Vítimas de
Violência Sexual - Pravivis. O programa foi implantado
em janeiro de 2002 e é dedicado ao atendimento de traumas
físicos internos e externos, profilaxia de doenças
sexualmente transmissíveis e prevenção
emergencial de gravidez.
A médica ginecologista Sônia Madi, responsável
pelo Pravivis do Hospital Geral, ressalta que vítimas
de violência sexual precisam ser atendidas por profissionais
especializados, devido aos cuidados que se fazem necessários
para reverter seqüelas decorrentes de agressões
físicas e para prevenir problemas psíquicos.
“Durante muitos anos a violência sexual foi tratada
como um assunto de polícia. Ainda hoje, muitos médicos
acreditam que a vítima deve ser encaminhada para o
registro policial antes do atendimento clínico”,
diz a médica.
Segundo ela, o tempo ideal para o atendimento médico
especializado à vítima de violência sexual
é de até 72 horas após a agressão.
Neste período, podem ser usados medicamentos para evitar
doenças ou gravidez indesejada decorrente de estupro.
No prontuário médico são detalhados todos
os tipos de lesões. No exame também são
recolhidos materiais que possibilitem identicar o agressor
através do seu código genético (DNA).
Durante os procedimentos, a vítima também é
orientada e esclarecida pelos profissionais sobre a importância
do registro na Delegacia Para a Mulher e sobre o exame de
corpo delito.O serviço inclui apoio de profissionais
do serviço social e da psicologia.
O Pravivis não divulga estatísticas, mas a coordenadora
adianta que a maior parte dos casos de violência por
estupro ocorrem no dia-a-dia da vítima, geralmente
no percurso entre o trabalho e/ou escola. Os índices
apontam que este problema atinge mulheres de todas as idades
e de todas as classes sociais. |
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